quinta-feira, 15 de Outubro de 2009

Já não há barbeiros...

Já não há barbeiros

Nem cadeiras de barbeiro,

Onde nos possamos sentar

E olhar, o olhar do nosso olhar

Reflectido no espelho

Da cadeira do barbeiro,

Onde rasam tesouras rente às orelhas,

Enquanto nos sentamos

Na cadeira do barbeiro,

E pensamos em tudo e em tudo

Porque temos tempo para pensar

Para reflectir e analisar

Quando estamos sentados

Na cadeira do barbeiro,

Sem outro remédio senão

Fitarmo-nos continuamente

E ver quem fomos, quem somos

E quem viremos a ser

Num mundo onde já não há

Cadeiras de barbeiro.


Por: Tiago Santos

sexta-feira, 19 de Junho de 2009

Breve conto

O gajo não vacilou. Sem a ajuda das mãos, subiu para a proa do barco e fitou a superfície espelhada daquele que seria o mais atraente dos mares onde já havia mergulhado. A sua cor azul-cobalto e a graciosidade da ondulação, sussurravam o seu nome e sorriam-lhe em gestos lentos e subtis, enquanto ele inspirava aquela brisa de um perfume tão perfeito, que sempre lhe fora proibido. O sol de verão acariciava o oceano em reflexos tão fortes, que impediam qualquer tipo de percepção visual abaixo da linha d’água, transformando assim o tão apetecido mergulho, num risco que tanto tinha de perigoso, como de misterioso e, por sua vez irrecusável. Apeteceu-lhe prolongar aquele momento durante duas eternidades, sentiu que o podia saborear por tempo indefinido, sem sentir o mais ínfimo dos enjoos ou a mais pequena das tonturas. Fazia agora 6 anos que ele se tinha apaixonado por todo aquele esplendor, todavia sem o poder tocar ou sequer cheirar, não era a altura e as consequências seriam drásticas, por motivos agora irrelevantes.

Flectiu as pernas e num impulso “catapultónico”, elevou-se durante milésimos de segundos no ar... Conseguiu sentir aquela húmida e amena massa oceânica percorrer todo o seu corpo, desde a ponta dos dedos, até ao último milímetro dos dedos dos pés, fundindo-se assim a um prazer sublime, que superava agora todas as suas expectativas. Era sem qualquer surpresa, melhor do que imaginara, aquela sensação da qual nunca tinha pensado poder vir a desfrutar. Descurou no entanto, a visibilidade que a luz do sol lhe havia negado anteriormente…



Por: Tiago Santos

sábado, 8 de Novembro de 2008

Tempestades...

E então vemo-nos a braços com situações paradoxais que, de um segundo para o outro, transformam o mais calmo dos oceanos no mais tempestuoso e revolto dos mares. É nessa altura que a nossa jangada, outrora aparentando uma construção bastante firme e coesa é, agora, arrebatada metros acima da linha d’água e que, os nós que a unem, ameaçam a desfragmentação iminente. Olhamos à volta em busca de algo onde nos possamos agarrar, mas em vão… Nada existe, a não ser a presença das megalómanas e colossais ondas esmagadoras, que persistentemente vão consumindo e destruindo a nossa pseudo-segurança flutuante, com a fúria de quem parece determinado a derrubar o seu pior inimigo. No meio de tamanha e desconcertante agitação, o nosso íntimo pede desesperadamente um pequeno raio de sol, que indicie o fim da tempestade e, quando o vemos, já não somos capazes de distinguir a realidade da alucinação.


Por: Tiago Santos

quarta-feira, 28 de Maio de 2008

O inesperado sabe sempre melhor

Todos fomos habituados a adoptar aquela entidade superior, à qual costumamos fazer vários pedidos frequentes: preciso de um melhor ordenado; quero alguém que me ame e respeite etc. Todos nos habituámos a ficar impávidos, serenos e imóveis à espera que as nossas preces tenham sido ouvidas e depois, surgem vários tipos de reacções… A impaciência é a mais comum, que posteriormente acaba por levar à frustração. Saber esperar é uma grande virtude e, saber que tudo chega na altura certa é um modo de estar na vida. Não nos cabe a nós decidir o tempo e espaço onde gostaríamos de ver concretizado determinado desejo ou aspiração, o magnetismo energético que move o planeta, o universo e toda a vida a ele inerente encarregar-se-á disso mesmo. A nós, cabe-nos esperar e ter esperança, o universo não se esquecerá de nós se não nos esquecermos d’Ele.


Por: Tiago Santos

terça-feira, 22 de Abril de 2008

Toma lá, dá cá...

Várias são as peripécias que durante o espaço de tempo de uma vida, nos fazem ora verter lágrimas de uma acidez amargamente corrosiva, ora esboçar sorrisos capazes de adoçar o mais acre dos vinagres. E então? Chamá-la-emos puta ou amiga? Tratá-la-emos com a dignidade e respeito de que alguém que nos faz feliz é merecedor, ou com o ódio e raiva que se abate irracionalmente sobre aquele que nos magoou? Vejo a relação vida/indivíduo como uma troca mútua de energias. Algo que dá para subsistir, a alguém que recebe para dar de volta num mundo encharcado em rotina e desalento colhido, após ter sido semeado. Aquilo que vai, acaba indubitavelmente por voltar.


Por: Tiago Santos

Colapsos de lucidez

Pois sim, claro! Tudo repleto de boas intenções! Tal como no oceano, as espécies abissais carentes de luz solar cegaram. Essas porém, souberam tirar partido dos outros sentidos! A vida mais superficial detém contudo uma visão mais apurada, mais nítida e abrangente… sim, sobretudo abrangente. Tubarões de visão extremamente aguçada, disfrutam do calor e conforto dos “raios solares”, pois então! Os grandes detentores da superfície!!! "Nunca uma espécie abissal nos tirará o lugar" pensam eles…Pensarão mal? O tempo o dirá! Esperemos convictamente que sim…mas não para já. Para já o peixinho abissal prefere continuar cego nas profundezas, alheio ao que se passa à tona! É mais fácil assim sem dúvida, mas depois há que ter o bom senso de não espernear! Afinal de contas são bastantes acolhedoras as profundezas não? São grandes, é um facto…patrulham incessávelmente as calorosas águas da superfície … é outro! Mas bem dissecada a situação, são em bem menor número não? Há que fazer a distinção entre a crítica, observação e manifesto. Pois de guerras passadas presentes e futuras esteve, está e talvez estará o mundo impregnado!


Por: Tiago Santos


Por: Tiago Santos

Craving for numbness

Craving for numbness
As I try to embrace
A new breath of hope…
Skepticism’s tentacles
Spread around
my being, though i…
Try to flush them away
Attempting to keep my
naive child from dying here…
and somewhere between both sides,
a part of me wants it dead…
Remaining unnoticed,
To a large amount of eyes…
Yet so cristal clear
For those to who I want
To remain unseen…
Feels like a punishment,
When I try to kill my thirst,
From a lake where it’s water
Seems to avoid my lips
Every single day,
I stare at this sea of contradictions.
And it pulls me for a swim…


Por: Tiago Santos